Obra


EXTRACTO DE MANO FORTE

«Carta ? 12 de Junho [de 1961 ]. ???. Manuscrita.

12 / Junho, véspera de Santo António José Forte

Meu Caro

Recebi a tua lacónica carta e a interessante missiva de vinte carapaus. Já deves ter recebido aí a resposta, isto é, postais da Felizarda. Como vês, Contraponto, quando promete, cumpre.

O postal ? 200 exemplares ? esgotou-se em dois dias, o que prova que a Felizarda tem um grande público de inimigos...

Mas outros grandes trabalhos nos esperam.

Estou agora a preparar uma outra grande Homenagem aos Saloios.

Trata-se de uma folha, escrita dos dois lados (página 2) densa de prosa, com artigos vários sobre os saloios vários: os saloios na imprensa, no teatro, no cinema, na literatura, etc.

Os saloios, como sabes, somos nós todos ? vistos de Paris.

Mas entre nós ? entre saloios, portanto ? há os saloios 100% e os saloios 99%. Nós, propriamente ditos, somos estes.

Assim, achamos do maior interesse, por agora e por espírito de picardia, fazermos uma grande homenagem colectiva aos saloios 100%, os saloios saloios, os saloios de corpo e alma, os saloios felizardos. Tu não podes faltar nesta homenagem. Requere-se, pois que mandes prosa ou (página 3) versos, insultos ou desabafos, em todo o caso o teu depoimento sobre os saloios.

O papel, em formato grande, com bonecada do João Rodrigues e doutros, será vendido (1000 exemplares) a 2$50. A Fundação "Obrigado, Calouste!" mais uma vez funcionará para provar ao Gulbenkian que 9 milhões de saloios não temem a concorrência do petróleo.

Manda prosa. Saloia. Ou anti-saloia.

Um abraço saloio do saloio Luiz Pacheco»


Retirado de http://www.instituto-camoes.pt/cvc/livros/333.html