Textos


NÃO LIGUEM AO PACHECO LEIAM-NO

por Ferreira Fernandes | 07 Janeiro 2008 (DN)

Há muitos anos, estando eu a escrever sobre ele, Luiz Pacheco convidou-me a ir à Feira do Livro.
Andou pelos quiosques a roubar livros e, por cada um, piscava o olho ao repórter, como que para assinar o crime.
E que livros roubava ele? Os seus. Acho que passou a vida nisso, provocando.
Denunciava o ar de cágado de Vergílio Ferreira e plágios de Fernando Namora e contava, com vagares, como se engata o sentinela num quartel, ou o seu regresso à pensão sórdida, mulher adolescente, filhos com fome e ele tendo gasto as últimas moedas na taberna...
P rovocações. Eu suspeito que depois do nosso passeio no Parque ele foi devolver os livros aos editores.
E li e ouvi, vezes sem conta, a admiração e o amor recíprocos, entre ele e os filhos.
Pacheco, maldito, libertino, pode ser que sim, pode ser a sua obra de fachada, não sei. Agora, provocação a sério é toda a luz da escrita d'O Teodolito ou O Libertino Passeia por Braga, anos 60!, quando Portugal era tão cinzento.
 
Retirado de http://dn.sapo.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=1000472